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“TEMPOS DE PAZ” UM FILME IMPERDÍVEL por Vespasiano Aurélio fotos divulgaçãao Jaboticabal, 1 de outubro de 2025 O cinema brasileiro tem, muitas vezes, a característica de se apoiar na força da palavra e da atuação. Diferente de produções hollywoodianas cheias de efeitos especiais, o nosso cinema costuma encontrar potência na simplicidade, na intimidade dos personagens e na força dos diálogos. Tempos de Paz (2009), dirigido por Daniel Filho e estrelado por Tony Ramos e Dan Stulbach, é um exemplo claro disso: um filme minimalista na forma, mas extremamente profundo no conteúdo e imperdível. A narrativa se ambienta no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. O mundo ainda tentava se recompor dos horrores recentes, e o Brasil também passava por mudanças políticas e sociais. É nesse contexto que se constrói a trama, focada em um encontro aparentemente banal, mas que, com o desenrolar, revela uma carga emocional e simbólica muito forte. Não é uma história de batalhas, perseguições ou cenários grandiosos; é, sobretudo, um duelo de palavras e de memórias. O filme se apoia em dois grandes atores. Tony Ramos, um dos nomes mais respeitados da dramaturgia brasileira, interpreta um homem marcado por um passado pesado, alguém que carrega dentro de si lembranças de violência e contradições morais. Do outro lado, Dan Stulbach dá vida a um personagem que traz a marca da guerra e a esperança de recomeçar em outro país. O encontro entre os dois é o motor de toda a obra, que se constrói em torno de diálogos intensos, carregados de tensão e emoção. A força de Tempos de Paz está justamente na forma como transforma um espaço pequeno — basicamente um escritório no porto — em palco de uma discussão que ultrapassa o individual e toca o coletivo. O que está em jogo não é apenas o destino de um imigrante, mas a reflexão sobre os rumos de um mundo em reconstrução. A questão da identidade, da arte e da humanidade atravessa cada linha dita, cada olhar trocado, mostrando como o cinema pode alcançar profundidade sem precisar de grandes cenários. Outro aspecto interessante é a relação do filme com o teatro. A obra é baseada na peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, e esse DNA teatral está presente na estrutura narrativa. Os diálogos são longos, carregados de emoção, e a interpretação é o grande destaque. Para alguns espectadores acostumados a filmes de ritmo acelerado, essa característica pode soar lenta; mas, para quem aprecia o poder da palavra, o resultado é envolvente. O espectador é levado a acompanhar atentamente cada argumento, cada pausa, cada emoção que surge no rosto dos personagens. Tony Ramos entrega uma atuação madura, densa, dando corpo a um homem endurecido pelas circunstâncias, mas ainda vulnerável a suas próprias memórias. Já Dan Stulbach equilibra fragilidade e firmeza, mostrando um personagem que, apesar das feridas, se agarra à sua identidade artística como forma de resistir e sobreviver. Esse contraste entre a dureza e a sensibilidade, entre a política e a arte, é o que dá força ao filme. Mais do que um retrato histórico, Tempos de Paz é uma obra sobre humanidade. O espectador é convidado a pensar no papel da arte em tempos de crise, no valor da palavra como instrumento de transformação e na necessidade de oferecer uma segunda chance — seja a uma pessoa, seja a um povo inteiro. O filme fala sobre recomeço, mas sem ingenuidade: reconhece as marcas da dor, da guerra e da violência, ao mesmo tempo em que aponta para a esperança. Por isso, Tempos de Paz merece ser visto não não é entretenimento, mas faz uma reflexão sobre a condição humana. É um filme que pede atenção, que exige do público disposição para ouvir, refletir e se emocionar. Não é o tipo de obra que se consome de forma apressada; é um cinema que pede silêncio, que valoriza o peso da palavra e o talento do ator. Em um país onde muitas vezes se critica a falta de grandes produções cinematográficas, um filme como esse mostra que o Brasil também é capaz de oferecer obras de grande qualidade artística, sustentadas pela força da interpretação e pela profundidade do texto. É uma lembrança de que, em meio ao barulho do mundo, o silêncio de um diálogo pode ser mais poderoso do que qualquer explosão. Brasil 2009 • cor • 80 min Género drama histórico Direção Daniel Filho Roteiro Bosco Brasil Baseado em Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil Elenco Tony Ramos Dan Stulbach Ailton Graça Louise Cardoso Companhia(s) produtora(s) Estação Luz Lereby Teleimage Globo Filmes Distribuição Warner Bros. Pictures Downtown Filmes Lançamento 14 de agosto de 2009 Idioma português (atualmente disponivel na NetFlix TRAILER:
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